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sexta-feira, janeiro 09, 2015

Uma outra visão sobre Charlie Hebdo

Je ne suis pas Charlie


Em primeiro lugar, eu condeno os atentados do dia do 7 de janeiro. Apesar de muitas vezes xingar e esbravejar no meio de discussões, sou um cara pacífico. A última vez que me envolvi em uma briga foi aos 13 anos (e apanhei feito um bicho). Não acho que a violência seja a melhor solução para nada. Um dos meus lemas é a frase de John Donne: “A morte de cada homem diminui-me, pois faço parte da humanidade; eis porque nunca me pergunto por quem dobramos sinos: é por mim”. Não acho que nenhum dos cartunistas “mereceu” levar um tiro. Ninguém merece. A morte é a sentença final, não permite que o sujeito evolua, mude. Em momento nenhum, eu quis que os cartunistas da Charlie Hebdo morressem. Mas eu queria que eles evoluíssem, que mudassem.

Após o atentado, milhares de pessoas se levantaram no mundo todo para protestar contra os atentados. Eu também fiquei assustado, e comovido, com isso tudo. Na internet, surgiu o refrão para essas manifestações: Je Suis Charlie. E aí a coisa começou a me incomodar.

A Charlie Hebdo é uma revista importante na França, fundada em 1970 e identificada com a esquerda pós-68. Não vou falar de toda a trajetória do semanário. Basta dizer que é mais ou menos o que foi o nosso Pasquim. Isso lá na França. 90% do mundo (eu inclusive) só foi conhecer a Charlie Hebdo em 2006, e já de uma forma bastante negativa: a revista republicou as charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten (identificado como “Liberal-Conservador”, ou seja, a direita européia). E porque fez isso? Oficialmente, em nome da “Liberdade de Expressão”, mas tem mais...

O editor da revista na época era Philippe Val. O mesmo que escreveu um texto em 2000 chamando os palestinos (sim! O povo todo) de “não-civilizados” (o que gerou críticas da colega de revista Mona Chollet – críticas que foram resolvidas com a saída dela). Ele ficou no comando até 2009, quando foi substituído por Stéphane Charbonnier, conhecido só como Charb. Foi sob o comando dele que a revista intensificou suas charges relacionadas ao Islã – ainda mais após o atentado que a revista sofreu em 2011.

Uma pausa para o contexto. A França tem 6,2 milhões de muçulmanos. São, na maioria, imigrantes das ex-colônias francesas. Esses muçulmanos não estão inseridos igualmente na sociedade francesa. A grande maioria é pobre, legada à condição de “cidadão de segunda classe”. Após os atentados do World Trade Center, a situação piorou. Já ouvi de pessoas que saíram de um restaurante “com medo de atentado” só porque um árabe entrou. Lembro de ter lido uma pesquisa feita há alguns anos (desculpem, não consegui achar a fonte) em que 20 currículos iguais eram distribuídos por empresas francesas. Eles eram praticamente iguais. A única diferença era o nome dos candidatos. Dez eram de homens com sobrenomes franceses, ou outros dez eram de homens com sobrenomes árabes. O currículo do francês teve mais que o dobro de contatos positivos do que os do candidato árabe. Isso foi há alguns anos. Antes da Frente Nacional, partido de ultra-direita de Marine Le Pen, conquistar 24 cadeiras no parlamento europeu...

De volta à Charlie Hebdo: Ontém vi Ziraldo chamando os cartunistas mortos de “heróis”. O Diário do Centro do Mundo (DCM) os chamou de“gigantes do humor politicamente incorreto”. No Twitter, muitos chamaram de “mártires da liberdade de expressão”. Vou colocar na conta do momento, da emoção. As charges polêmicas do Charlie Hebdo são de péssimo gosto, mas isso não está em questão. O fato é que elas são perigosas, criminosas até, por dois motivos.

O primeiro é a intolerância. Na religião muçulmana, há um princípio que diz que o profeta Maomé não pode ser retratado, de forma alguma. (Isso gera situações interessantes, como o filme A Mensagem – Ar Risalah, de 1976 – que conta a história do profeta sem desrespeitar esse dogma – as soluções encontradas são geniais!). Esse é um preceito central da crença Islâmica, e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos. Fazendo um paralelo, é como se um pastor evangélico chutasse a estátua de Nossa Senhora para atacar os católicos. O Charlie Hebdo publicou a seguinte charge:


Qual é o objetivo disso? O próprio Charb falou: “É preciso que o Islã esteja tão banalizado quanto o catolicismo”. Ok, o catolicismo foi banalizado. Mas isso aconteceu de dentro pra fora. Não nos foi imposto externamente. Note que ele não está falando em atacar alguns indivíduos radicais, alguns pontos específicos da doutrina islâmica, ou o fanatismo religioso. O alvo é o Islã, por si só. Há décadas os culturalistas já falavam da tentativa de impor os valores ocidentais ao mundo todo. Atacar a cultura alheia sempre é um ato imperialista. Na época das primeiras publicações, diversas associações islâmicas se sentiram ofendidas e decidiram processar a revista. Os tribunais franceses – famosos há mais de um século pela xenofobia e intolerâmcia (ver Caso Dreyfus) – deram ganho de causa para a revista. Foi como um incentivo. E a Charlie Hebdo abraçou esse incentivo e intensificou as charges e textos contra o Islã.

Mas existe outro problema, ainda mais grave. A maneira como o jornal retratava os muçulmanos era sempre ofensiva. Os adeptos do Islã sempre estavam caracterizados por suas roupas típicas, e sempre portando armas ou fazendo alusões à violência (quantos trocadilhos com “matar” e “explodir”...). Alguns argumentam que o alvo era somente “os indivíduos radicais”, mas a partir do momento que somente esses indivíduos são mostrados, cria-se uma generalização. Nem sempre existe um signo claro que indique que aquele muçulmano é um desviante, já que na maioria dos casos é só o desviante que aparece. É como se fizéssemos no Brasil uma charge de um negro assaltante e disséssemos que ela não critica/estereotipa os negros, somente aqueles negros que assaltam...



E aí colocamos esse tipo de mensagem na sociedade francesa, com seus 10% de muçulmanos já marginalizados. O poeta satírico francês Jean de Santeul cunhou a frase: “Castigat ridendo mores” (costumes são corrigidos rindo-se deles). A piada tem esse poder. Se a piada é preconceituosa, ela transmite o preconceito. Se ela sempre retrata o árabe como terrorista, as pessoas começam a acreditar que todo árabe é terrorista. Se esse árabe terrorista dos quadrinhos se veste exatamente da mesma forma que seu vizinho muçulmano, a relação de identificação-projeção é criada mesmo que inconscientemente. Os quadrinhos, capas e textos da Charlie Hebdo promoviam a Islamofobia. Como toda população marginalizada, os muçulmanos franceses são alvo de ataques de grupos de extrema-direita. Esses ataques matam pessoas. Falar que “Com uma caneta eu não degolo ninguém”, como disse Charb, é hipócrita. Com uma caneta se prega o ódio que mata pessoas.

No artigo do Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira diz: “Existem dois tipos de humor politicamente incorreto. Um é destemido, porque enfrenta perigos reais. O outro é covarde, porque pisa nos fracos. Os cartunistas do jornal francês Charlie Hebdo pertenciam ao primeiro grupo. Humoristas como Danilo Gentili e derivados estão no segundo.” Errado. Bater na população islâmica da França é covarde. É bater no mais fraco.

Uma das defesas comuns ao estilo do Charlie Hebdo é dizer que eles também criticavam católicos e judeus. Isso me lembra o já citado gênio do humor (sqn) Danilo Gentilli, que dizia ser alvo de racismo ao ser chamado de Palmito (por ser alto e branco). Isso é canalha. Em nossa sociedade, ser alto e branco não é visto como ofensa, pelo contrário. E – mesmo que isso fosse racismo – isso não daria direito a ele de ser racista com os outros. O fato do Charlie Hebdo desrespeitar outras religiões não é atenuante, é agravante. Se as outras religiões não reagiram a ofensa, isso é um problema delas. Ninguém é obrigado a ser ofendido calado.

“Mas isso é motivo para matarem os caras!?”. Não. Claro que não. Ninguém em sã consciência apoia os atentados. Os três atiradores representam o que há de pior na humanidade: gente incapaz de dialogar. Mas é fato que o atentado poderia ter sido evitado. Bastava que a justiça francesa tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso. Traçasse uma linha dizendo: “Desse ponto vocês não devem passar”.

“Mas isso é censura”, alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra “Censura” é repreender. A censura já existe. Quando se decide que você não pode sair simplesmente inventando histórias caluniosas sobre outra pessoa, isso é censura. Quando se diz que determinados discursos fomentam o ódio e por isso devem ser evitados – como o racismo ou a homofobia – isso é censura. Ou mesmo situações mais banais: quando dizem que você não pode usar determinado personagem porque ele é propriedade de outra pessoa, isso também é censura. Nem toda censura é ruim.

Por coincidência, um dos assuntos mais comentados do dia 6 de janeiro – véspera dos atentados – foi a declaração do comediante Renato Aragão à revista Playboy. Ao falar das piadas preconceituosas dos anos 70 e 80, Didi disse: “Mas, naquela época, essas classes dos feios, dos negros e dos homossexuais, elas não se ofendiam.”. Errado. Muitos se ofendiam. Eles só não tinham meios de manifestar o descontentamento. Naquela época, tão cheia de censuras absurdas, essa seria uma censura positiva. Se alguém tivesse dado esse toque nOs Trapalhões lá atrás, talvez não teríamos a minha geração achando normal fazer piada com negros e gays. Perderíamos algumas risadas? Talvez (duvido, os caras não precisavam disso para serem engraçados). Mas se esse fosse o preço para se ter uma sociedade menos racista e homofóbica, eu escolheria sem dó. Renato Aragão parece ter entendido isso. 

Deixo claro que não estou defendendo a censura prévia, sempre burra. Não estou dizendo que deveria ter uma lista de palavras/situações que deveriam ser banidas do humor. Estou dizendo que cada caso deveria ser julgado. Excessos devem ser punidos. Não é “Não fale”. É “Fale, mas aguente as consequências”. E é melhor que as consequências venham na forma de processos judiciais do que de balas de fuzis.

Voltando à França, hoje temos um país de luto. Porém, alguns urubus são mais espertos do que outros, e já começamos a ver no que o atentado vai dar. Em discurso, Marine Le Pen declarou: “a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada” (grifo meu). Essa fala mostra exatamente as raízes da islamofobia. Para os setores nacionalistas franceses (de direita, centro ou esquerda), é inadmissível que 10% da população do país não tenha interesse em seguir “o modo de vida francês”. Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até... charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos! Muitos chargistas do mundo todo desenharam armas feitas com canetas para homenagear as vítimas. De longe, a homenagem parece válida. Quando chegam as notícias de que locais de culto islâmico na França foram atacados – um deles com granadas! - nessa madrugada, a coisa perde um pouco a beleza. É a resposta ao discurso de Le Pen, que pedia para a França declarar “guerra ao fundamentalismo” (mas que nos ouvidos dos xenófobos ecoa como “guerra aos muçulmanos” – e ela sabe disso).

Por isso tudo, apesar de lamentar e repudiar o ato bárbaro de ontem, eu não sou Charlie. No twitter, um movimento – muito menor do que o #JeSuisCharlie – começa a surgir. Ele fala do policial, muçulmano, que morreu defendendo a “liberdade de expressão” para os cartunistas do Charlie Hebdo ofenderem-no. Ele representa a enorme maioria da comunidade islâmica, que mesmo sofrendo ataques dos cartunistas franceses, mesmo sofrendo o ódio diário dos xenófobos e islamófobos, repudiaram o ataque. Je ne suis pas Charlie. Je suis Ahmed.

quinta-feira, janeiro 08, 2015

Sobre o atentado terrorista na França

Attentat à « Charlie Hebdo » : la traque d’une fratrie de djihadistes

Le Monde.fr |  • Mis à jour le  |
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C'est une carte d'identité qui a mis les enquêteurs sur la piste de Saïd et Chérif Kouachi, les deux auteurs présumés de l'attaque meurtrière qui a coûté la vie, mercredi 7 janvier, à douze personnes et blessé onze autres dans les locaux deCharlie Hebdo, à Paris. Oubliée, selon une source policière, par Chérif Kouachi dans la première voiture qui leur a permis de prendre la fuite, elle a permis à lapolice de dresser leur portrait et de fonder l'espoir de les intercepter.

Les informations détenues notamment par les agents de la Direction de la sécurité intérieure (DGSI) permettent, dans l’après-midi, d’identifier les différents points de chute de deux hommes. Une homonymie conduit d’abord les enquêteurs dans un appartement de Pantin (Seine-Saint-Denis). Ils se rendent ensuite à Gennevilliers (Hauts-de-Seine), une ville où Chérif Kouachi s’est marié et a vécu. Enfin, les forces de police tentent de retrouver leur trace à Reims et dans sa région, notamment à Charleville-Mézières, dans les Ardennes.
Ils ne trouvent aucun des deux hommes, qui sont de nationalité française, mais leur présence avérée et récente dans un appartement du quartier de la Croix-Rouge, à Reims, donne lieu à une longue perquisition et une analyse minutieuse du logement par la police scientifique. Des proches susceptibles de livrer des éléments sur la traque des fugitifs sont placés en garde à vue dans la soirée du mercredi 7 janvier.
Au milieu de la nuit qui suit l’attentat, un proche de la compagne de Chérif Kouachi, dont le nom circulait sur réseaux sociaux, se livre au commissariat de Charleville-Mézières afin d’écarter, explique-t-il aux policiers, les soupçons qui semblentpeser sur lui. Né en juillet 1996, il n’était, jeudi matin, pas considéré comme un suspect ayant participé à l’attaque. De source policière, on indiquait même, jeudi, au Monde, qu’« aucune charge » ne pesait sur lui et qu’il ne s’agissait, pour l’heure, « dans son cas, que de simples vérifications ».

Une fratrie suspecte

Saïd et Chérif Kouachi, qualifiés, par les autorités, « d’armés et dangereux »,étaient toujours en fuite, jeudi matin. Estimant qu’ils pouvaient bénéficier d’un« réseau de soutien »et craignant « qu’ils puissent, de nouveau, se livrer à un acte sanglant », la préfecture de police de Paris a diffusé dans la nuit un appel à témoins.
Saïd et Chérif Kouachi forment une cellule « familiale » dont on ne connaît pour l’instant pas les éventuelles ramifications. Ce qui est certain, c’est qu’avant d’être soupçonné d’être l’un des auteurs des assassinats de Charlie Hebdo, Chérif, le cadet, a appartenu à un groupe que l’on pourrait aujourd’hui considérer comme l’un des « pionniers » du djihad à l’étranger. De nationalité française, né dans le 10earrondissement de Paris, Chérif, qui se faisait appeler « Abou Issen », a été condamné, le 14 mai 2008, à trois ans de prison dont 18 mois avec sursis dans le dossier dit de la filière « des Buttes-Chaumont », qui envoyait des candidats au djihad en Irak entre 2004 et 2006.
Entendu en 2010, sa compagne, animatrice en crèche, avait revendiqué le port levoile intégral depuis son pèlerinage à La Mecque en 2008. Chérif Kouachi l’avait épousé le 1er mars 2008, avec, pour seul témoin, son frère Saïd. Il est sa seulefamille depuis le décès de ses parents. Relu à l’aune des événements d’aujourd’hui, le procès des Buttes Chaumont montre comment en dix ans, des jeunes du 19e arrondissement de Paris, âgés à l’époque d’une vingtaine d’années, sont passés de la volonté de se battre en Irak à celle de mener des attaques terroristes sur le sol français.
Chérif Kouachi a connu une partie de ses complices au collège. A l’époque, il est considéré comme le plus violent et le plus impulsif de tous. Ses camarades lui attribuent déjà des projets d’attentats terroristes contre des commerces juifs à Paris. Avec ses copains, il commet des larcins dans le quartier des Buttes-Chaumont, dans le 19e : vols, drogue, petits trafics. Son attrait pour le « djihad » apparaît en 2003, lorsqu’il commence à fréquenter la mosquée Adda’wa, à Stalingrad. Cheveux mi-longs, carrure athlétique, mâchoire carrée, Chérif Kouachi admet à la barre, en 2008, avoir été « un délinquant «. « Mais après j’avais la pêche, je calculais même pas que je pouvais mourir ».
A la mosquée, il rencontre le futur chef de la filière irakienne, Farid Benyettou. A peine plus âgé que lui, le jeune homme se vante d’une connaissance approfondie de l’islam et joue les prédicateurs à la sortie de la prière. Avec lui, les jeunes genssuivent des cours de religion, à leur domicile et dans un foyer du quartier. Certains s’y rendent presque tous les jours et coupent, peu à peu, les ponts avec leurs familles. Leur mode de vie change radicalement. Ils arrêtent de fumer, cessent les trafics, visionnent des vidéos sur le djihad. Les images de l’intervention américaine et britannique, en mars 2003, en Irak, les fascinent. « C’est tout ce que j’ai vu à la télé, les tortures de la prison d’Abou Ghraib, tout ça, qui m’a motivé », raconte, lors du procès de 2008, l’un des proches de Chérif Kouachi.
S’ils se radicalisent en moins d’une année et cherchent à gagner l’Irak, Chérif Kouachi et ses camarades apparaissent à la barre comme un petit groupe amateur. Une sorte de bande de « pieds nickelés » qui comparaît libre, à l’exception de l’un d’entre eux. Ils s’entraînaient en faisant des footings dans le parc des Buttes Chaumont et ils « voulaient jouer dans la cour des grands sansêtre vraiment prêt », avait-on entendu à la barre. « Plus le départ approchait,explique alors Chérif Kouachi, plus je voulais revenir en arrière. Mais si je me dégonflais, je risquais de passer pour un lâche. » Un fidèle plus âgé de la mosquée lui avait appris à manier la kalachnikov.

Radicalisation en prison

Si, entre 2003 et 2005, les départs en Irak s’échelonnent, chacun s’organise comme il peut pour ne pas éveiller les soupçons. Pour justifier leur départ, ils affirment souvent vouloir « perfectionner leur arabe ». Certaines familles s’inquiètent de leur absence. Mais, preuve que la menace qu’ils représentent pour la France n’est pas encore considérée comme très importante, les signalements émanant des familles ne suscitent pas le même empressement que celui qu’ils causeraient aujourd’hui. Une fois parvenus à Damas, en Syrie, ils sont accueillis dans des écoles coraniques salafistes où certains diront plus tard qu’on leur a« bourré la tête ». Très vite, ils passent la frontière syro-irakienne. Cherif Kouachi n’a jamais quitté le sol français : il est interpellé, à Paris, en janvier 2005.
Lors de l’année et demie qu’il passe en prison, de janvier 2005 à octobre 2006, à la maison d’arrêt de Fleury-Mérogis (Essonne), Chérif Kouachi fait la connaissance de celui qui deviendra son nouveau mentor : Djamel Beghal. Cet homme, qui se fait appeler Abou Hamza, purge une peine de dix ans de prison pour un projetd’attentat fomenté, en 2001, contre l’ambassade des Etats-Unis à Paris.
A sa sortie de prison, en 2006, Chérif Kouachi travaille à la poissonnerie du magasin Leclerc de Conflans-Sainte-Honorine (Yvelines). Selon les policiers de la sous-direction antiterroriste (SDAT), il conserve alors des liens avec certains de ses anciens complices des Buttes-Chaumont. Il aurait participé, selon le SDAT, à la préparation de l’évasion d’une autre figure de l’islam radical, Smaïn Ait Ali Belkacem, condamné, en novembre 2002, à une peine de prison à perpétuité pour sa participation à l’attentat de la station RER Musée-d’Orsay, en octobre 1995.
Incarcéré de nouveau en mai 2010 sur la base de ces soupçons, Chérif Kouachi est libéré le 11 octobre de la même année. Faute de preuves suffisantes, le parquet de Paris requiert un non-lieu le 26 juillet 2013, et ce « edépit de son ancrage avéré dans un islam radical, de son intérêt démontré pour les thèses défendant la légitimité du djihad armé », note le réquisitoire. Un magistrat contacté par Le Monde se souvient de ce dossier. « A l’époque, nous ne pouvions pasdeviner sa dangerosité. On allait tout de même pas le condamner pour avoir joué au foot… »
Photos de surveillance policière prises à Murat (Cantal) lors d’une rencontre entre Chérif Kouachi et le terroriste Djamel Beghal, le 11 avril 2010.
BOURREAU DE ETAT ISLAMIQUE
Pour étayer ses liens avec Djamel Beghal, qu’il a connu en prison, les enquêteurs disposent de rapports de surveillance. Chérif Kouachi est photographié dans le Cantal, à Murat, du 9 au 16 avril 2010, en compagnie de son mentor, qui est assigné à résidence. Le 11 avril 2010 au matin, ils sont rejoints par deux hommes qui ont déjà été condamnés pour des faits de terrorisme, Ahmed Laidouni et Farid Melouk. Les quatre hommes se rendent à pied sur le terrain de football de la ville, où durant deux heures, ils font du sport et se promènent dans la campagne.
Sur une écoute téléphonique datée du 14 avril 2010, Chérif Kouachi se félicite de ce séjour. « Non franchement, on est partis faire du sport, wallah c’était trop bien. » Un enthousiasme que ne partage pas son mentor. Un mois plus tôt, le 12 mars 2010, sur une autre écoute, Djamel Beghal met en garde un complice à propos de « Chérif » : « Fais pas confiance, il faisait pas à manger au Habs [prison en arabe] ».
Depuis sa résidence surveillée du Cantal, Djamel Beghal supervisait les préparatifs de l’évasion de Smaïn Ait Ali Belkacem, note le parquet dans un réquisitoire définitif du 26 juillet 2013. Dans ce même dossier, l’aîné des Kouachi, Saïd, apparaît également en périphérie. Sans plus d’éléments le concernant, les policiers ne poursuivent pas les investigations.
Dans cette affaire, les policiers confirment cependant « l’ancrage radical » de Chérif Kouachi grâce aux perquisitions menées à son domicile de Gennevilliers (Hauts-de-Seine). Au milieu d’images pornographiques, voisinent des ouvrages tels que « Déviances et incohérences chez les prêcheurs de la décadence », un livre qui dénonce l’existence d’un islam démocratique. Les policiers ont aussi mis la main sur « Les savants du Sultan, Paroles de nos prédécesseurs » quistigmatise les compromis des religieux avec le pouvoir et sur d’autres écrits justifiant le djihad et le martyre et rendant obligatoire le « djihad défensif ».
L’enquête a d’ores et déjà permis, selon les informations du Monde, d’en savoirplus sur la cellule des frères Kouachi. Dans le groupe Beghal-Kouachi, qui préparait l’évasion de Smaïn Ait Ali Belkacem, figurait, en effet, un homme dont le nom a récemment fait l’actualité internationale, Salim Benghalem. Il est présenté aujourd’hui par les Etats-Unis, comme l’un des principaux « bourreaux » de l’Etat islamique en Syrie, et il a été inscrit, fin septembre 2014, sur la liste noire du département d’Etat américain aux côtés de neuf autres djihadistes présumés dangereux.
Lorsqu’il purgeait une peine de prison à Fresnes (Val-de marne), pour « tentative de meurtre », en 2008, Salim Benghalem s’était lié d’amitié, selon la police antiterroriste française, avec l’un des membres de la filière irakienne des Buttes-Chaumont dont il partageait la cellule. Une relation qu’il a étendue, à sa sortie de prison, avec d’autres piliers de cette filière, dont Thamer Bouchnak.
INFLUENCE DE LA FILIERE DU 19E EN TUNISIE
L’influence de cette filière irakienne du 19e arrondissement de Paris a, enfin, été décelée en Tunisie après l’assassinat, les 6 février et 25 juillet 2013, de deux opposants politiques, Chokri Belaïd et le député Mohamed Brahmi. Ces deux meurtres, qui ont plongé la Tunisie dans une crise profonde, ont été revendiqués par des membres d’Ansar Al-Charia, un groupe salafiste radical créé en mai 2011 ayant fait allégeance à l’Etat islamique.
Le meurtre de ces deux opposants a été revendiqué, le 17 décembre 2014, par un proche de Chérif Kouachi, un franco-Tunisien nommé Boubaker Al-Hakim et connu sous le nom de « Abou Mouqatel ». « Nous allons revenir et tuer plusieurs d’entre vousVous ne vivrez pas en paix tant que la Tunisie n’appliquera pas la loi islamique », assure t-il alors. Selon le ministère de l’intérieur tunisien, l’intéressé est « un élément terroriste parmi les plus dangereux, objet de recherches au niveau international », déjà recherché pour trafic d’armes en Tunisie.
Boubaker Al-Hakim est considéré comme un exemple par « ses frères d’armes ». Il est l’un de deux fondateurs des filières irakiennes des « Buttes-Chaumont ». Présent en Irak dès 2002, il a, selon ses propres dires en garde à vue, séjourné à quatre reprises en Irak avant d’être condamné dans ce dossier. Au procès de la filière du 19e, en 2008, il était le seul détenu. C’est sur lui que pesaient les charges les plus lourdes.
Vingt-quatre heures après l’irruption sanglante des frères Kouachi dans les locaux de Charlie Hebdo, la DGSI s’interrogeait, jeudi, sur les liens pouvant exister entre tous ces hommes – Kouachi, en France, Benghalem en Syrie et Al-Hakim en Tunisie. Depuis le début de la crise syrienne, les services de renseignement craignaient que les jeunes recrues djihadistes formées sur le sol syrien organisent des attentats terroristes sur le sol français. Finalement, l’attaque spectaculaire tant redoutée n’est pas venue de ces novices mais de l’ancienne garde déjà passée en Irak que l’on croyait, à tort, assagie.

terça-feira, janeiro 06, 2015

Vale a pena ler para pensar!


Vovó viu a uva – Na rede, muitos entendem o que querem entender

Leonardo Sakamoto

Um amigo jornalista defende a tese de que uma parcela das pessoas não está na internet para se informar, mas apenas para poder discutir. Para elas, tudo o que precisam saber já teria sido ensinado na escola, na igreja, na família ou passado pelo telejornal da noite.
Em muitos casos, a pessoa até descobre que a posição do autor ou da autora faz sentido – mesmo que não esteja alinhada com sua própria visão de mundo. Mas, com medo de fugir da massa e pensar por conta própria, reage conforme sua programação ou de forma violenta. Às vezes, o negócio vai tão no automático que basta identificar o nome de quem escreveu e, muito superficialmente, o tema para começar a destilar raiva. Raiva que, na verdade, sente de sua própria condição mas, na maioria das vezes, não percebe. Todo jornalista é um pouco masoquista, mas também torço, para que os mais virulentos, de qualquer ideologia, paulatinamente se acalmem porque isso significará o aumento do nível educacional, intelectual e cidadão de nossa gente. E mostrará que as aulas de interpretação de texto funcionam.
Há alguns raros de posts que não morrem. Porque, de tempo em tempos, você descobre que eles merecem acréscimos e reedição. Este é um exemplo que acho didático o bastante para ir ganhando casos.
Atentem-se para a frase.
Vovó viu a uva.
Interpretação de texto 1:
O jornalista é um idiota vendido para ONGs internacionais que acha que o alimento que ele consome vem da gôndola do supermercado. Não imagina que, por trás de tudo, e sustentando tudo, inclusive o superávit da balança comercial, há um pujante agronegócio e abnegados produtores rurais. A idosa em questão apenas viu a uva, mas por que ele se nega a dizer quem a plantou? Qual o interesse de esconder em seu texto ativista quem a cultivou? Quem a selecionou e trouxe para a mesa da idosa a fim de que pudesse ser vista? O agronegócio está cansado e a população deve fazer uma escolha: ou produzimos uvas ou preservamos o meio ambiente. Mais respeito com o produtor rural e menos preocupação com índios, quilombolas e ribeirinhos, que, como todos sabemos, não produzem uva.
Interpretação de texto 2:
Esta necessidade do politicamente correto vai acabar conosco mais cedo ou mais tarde. Certamente a vovó não viu a uva, nem tinha interesse em vê-la. Mas o jornalista , capacho de um feminismo de botequim, inseriu a vovó na história só para poder comer a mulherada que lê seus artigos, se fazendo de, como posso dizer, sensível. O cretino quer aparecer bem na fita no Tinder. Todos nós sabemos que a vovó está mais interessada em fazer um bom tricô, cozinhar um bolo para a família, cuidar dos netos ou conversar com as amigas na varanda. Ver a uva é coisa de homem, sempre foi. Afirmar que vovó viu a uva só ajuda a desestabilizar a família brasileira, criando embaraços para o vovô, que lutou a vida inteira para sustentar a casa e garantir que uvas chegassem à família. E, agora, ele não pode nem ver o fruto do seu trabalho? Tristes tempos são estes…
Interpretação de texto 3:
O “jornalista'', ao trazer essas obscenidades para as nossas casas, ajuda a entregar seus filhos de mão beijada para o capeta, que é ardiloso. O livro de Levítico é muito claro: Mulher nenhuma poderá ver a uva de ninguém, a não ser a do seu próprio marido, com união consagrada perante Deus e apenas com fins de procriação. Mulher ver a uva é abominação, com pena de apedrejamento em praça pública. Antes desse clima de permissividade, nem se falava da uva em público. Hoje, uma cena grotesca, como uma pura vovó vendo uma uva, é difundida pela internet sem pudor. Graças ao Senhor Jesus, contudo, nós temos os pastores eleitos no Congresso Nacional, que devem aprovar um projeto de lei impedindo que a uva seja vista e pronunciada, e no Ministério do Esporte – que impedirá esportes com uva nas Olimpíadas. Salve, aleluia, salve! Converta-se enquanto é tempo.
Interpretação de texto 4:
Nós da Associação Empresarial dos Amigos da Escola gostaríamos de vir a público, através desta nota, para demonstrar nosso desprezo contra a invasão de comunistas na educação das crianças deste Brasil demonstrada neste texto. Ao invés de aproveitar a alfabetização para incutir na juventude valores caros à nossa sociedade como a livre iniciativa, a competitividade, a meritocracia e o darwinismo sócio-econômico, eles esvaziam a educação básica com questões sem importância, vovós e uvas. Vejamos o caso de Joãozinho. Se ele tivesse se alfabetizado através dessa cartilha hoje seria um Zé Povinho. Ao contrário, usando o método de inclusão cidadã da Associação Empresarial dos Amigos da Escola, ele partiu de uma criança que devorava biscoitos feitos de barro e brincava com ossinhos de rabo de zebu para se tornar o CEO de uma grande multinacional . Se Joãozinho se tornou alguém sem a ajuda do Estado ou de vovós, sem depender de professores que só reclamam de salários e faltam às aulas, por que insistirmos em custos caríssimos, gastando em uvas na merenda escolar pagas com dinheiro público?
Interpretação de texto 5:
Vovó vê uvas, codornizes e caviar porque ficou de bico fechado para fazer vistas grossas no escândalo do trensalão paulista. Na verdade, as uvas estão em cima da mesa da vovó desde a fundação do país. Esteve nas capitanias hereditárias, na Casa Grande, nos Palácios do Café até chegar às mesas dos Jardins, com gosto de um capitalismo decrépito que, crise atrás de crise, está caindo de velho diante da organização popular. O povo está com fome e não quer comer brioches, mas sim uvas. As uvas que hoje o capital saboreia. Apesar da vovó, amanhã há de ser outro dia e a elite branca não verá esse dia chegar.
Interpretação de texto 6:
A Vovó viu a uva porque é uma petralha vagabunda, que mama nas tetas do governo federal, depois de ter conseguido um cargo porque trabalhou na campanha de um mensaleiro. Enquanto o brasileiro nem sonha com cheiro de laranja, essa desqualificada de esquerda come cachos de uva comprados com nossos impostos, NOSSOS IMPOSTOS! Mas o gigante acordou e esse caso será levado para o Supremo Tribunal Federal para a cassação do chefe da quadrilha da vovó e a restituição de todas as uvas a seus proprietários de direito, que são os homens de bem do Brasil.
Interpretação de texto 7
“Vovó'', na verdade, é uma agente infiltrada pela CIA nas manifestações de junho de 2013 para desestabilizar o governo e gerar um clima propício à vitória da oposição. “Vovó'' não apenas teria visto as uvas como as utilizado para cooptar centenas de milhares de jovens por todo o país com a distribuição do tipo itália – fato que passou longe das câmeras de TVs porque a grande mídia também fazia parte do plano. “Vovó'' só não teve sucesso no seu intento porque o governo de Cuba enviou “vovô'', agente de contrainformação, que balanceou esse processo com a entrega maciça de uvas ruby. Infelizmente, isso teve um custo e, por conta, entregamos a Copa do Mundo para a Alemanha.
Interpretação de texto 8:
Vovó viu a uva significa que a vovó viu a uva.
Moral da história: muita gente, quando lê, não descobre o outro. Apenas vê a si mesmo no espelho.

quinta-feira, janeiro 01, 2015

Sobre o novo mandato presidencial 2015/2019

Dilma põe educação em lema de governo e fala em extirpar corrupção



Larissa Leiros Baroni
Do UOL, em São Paulo

Posse da presidente Dilma Rousseff95 fotos

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1º.jan.2015 - A presidente reeleita Dilma Rousseff coloca faixa presidencial durante a cerimônia de posse do seu segundo mandato no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira (1º) Wenderson Araújo/AFP
A presidente Dilma Rousseff definiu a educação como o lema de seu novo governo e reafirmou o compromisso de "extirpar" a corrupção durante o discurso de posse de seu segundo mandato, realizado na tarde desta quinta-feira (1º), no Congresso Nacional, em Brasília. 
"Nosso lema será: Brasil, pátria educadora", disse Dilma, que apontou a democratização do conhecimento como uma das metas de seu governo: "significa universalizar o acesso a um ensino de qualidade em todos os níveis".  
Segundo ela, ao longo deste novo mandato, a área começará a receber volumes mais expressivos de recursos oriundos dos royalties do petróleo. "Vamos continuar expandindo o acesso às creches, pré-escolas para todos, garantindo o cumprimento da meta de universalizar até 2016, o acesso de todas as crianças de 4 a 5 anos à pré-escola", relatou a presidente, que também citou avanços no Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), no Ciências sem Fronteiras e na educação em tempo integral. 
O lema do primeiro mandato de Dilma era "Brasil, país rico é um país sem pobreza". Mas, apesar da mudança, a presidente disse que o "Brasil vai continuar como o país líder, no mundo, em políticas sociais transformadoras". 
Dilma também dedicou boa parte de seu discurso, que durou cerca de 40 minutos, para criticar a corrupção.
"A corrupção ofende e humilha os trabalhadores, os empresários e os brasileiros honestos e de bem. A corrupção deve ser extirpada", disse ela, que propôs um "grande pacto nacional contra a corrupção, que envolve todas as esferas de governo e todos os núcleos de poder".
A Polícia Militar do Distrito Federal informou que cerca de 30 mil pessoas acompanharam as cerimônias de posse da presidente na Esplanada dos Ministérios. Esse público foi reduzido a 15 mil pessoas na Praça dos Três Poderes no final tarde durante o pronunciamento da presidente já empossada no parlatório. Dentro do Planalto, cerca de 3.000 pessoas, entre autoridades brasileiras e estrangeiras, acompanharam a cerimônia.

Extirpar a corrupção

A medida, que deve ser enviada ao Congresso Nacional ainda no primeiro semestre de 2015, inclui cinco ações: transformar em crime e punir com rigor os agentes públicos que enriquecem sem justificativa ou não demonstrem a origem dos seus ganhos; modificar a legislação eleitoral para transformar em crime a prática de caixa 2; criar uma nova espécie de ação judicial que permita o confisco dos bens adquiridos de forma ilícita ou sem comprovação; alterar a legislação para agilizar o julgamento de processos envolvendo o desvio de recursos públicos; e criar uma nova estrutura no Poder Judiciário que dê maior agilidade e eficiência às investigações e processos movidos contra aqueles que possuem foro privilegiado.
Em meio ao escândalo de subornos envolvendo a Petrobras, a presidente afirmou ainda que enfrentará "sem medo a luta contra a corrupção". "O povo brasileiro quer ainda mais transparência e mais combate a todos os tipos de crimes, especialmente a corrupção, e quer, ainda, que o braço forte da justiça alcance todos de forma igualitária. Não tenho medo de encarar esses desafios", afirmou ela.
Sem citar as denúncias, Dilma afirmou que "nunca" o país passou por um período tão longo sem crises institucionais e que "nunca se puniu tanto a corrupção, em todos os níveis". Ela afirmou que é preciso fazer mais para que o povo tenha a certeza de que todos podem ser punidos. 
"Democratizar o poder significa lutar pela reforma política, ouvir com atenção a sociedade. Democratizar o poder significa combater energicamente a corrupção. A corrupção rouba o poder legítimo do povo", acrescentou a presidente, que voltou a defender a reforma política. "É inadiável, também, implantarmos práticas políticas mais modernas e éticas e por isso mesmo mais saudáveis. É isso que torna urgente e necessária a reforma política. Uma reforma profunda que é responsabilidade constitucional desta Casa, mas que  deve mobilizar toda a sociedade."
No discurso de 2011, Dilma já havia selado compromissos similares, quando disse que seria "rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para atuarem com firmeza e autonomia."
Há quatro anos ela também teria defendido a reforma política: "a política é tarefa indeclinável e urgente uma reforma com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e aperfeiçoar as instituições, restaurando valores e dando mais transparência ao conjunto da atividade pública."

Mudanças na economia

Na disputa mais apertada da história da política brasileira, Dilma foi reeleita com 51,64% dos votos e assume seu segundo mandato diante de um país economicamente estagnado e diante do desafio de reaquecer a economia. Em seu discurso, a presidente reconheceu o desafioe apontou como prioridade o combate à inflação, preservando o emprego, a manutenção da política de salário mínimo e a redução das desigualdades. 
Dilma governará um país em situação bem diferente da que herdou de seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Em 2010, quando foi eleita pela primeira vez, o país cresceu 7,5% e a inflação anual atingiu 5,9%. Em 2014, o ano de sua reeleição, o crescimento deve ficar em 0,2% e a inflação, perto do teto da meta oficial, de 6,5%.
"Vamos provar que se pode fazer ajustes na economia sem revogar direitos conquistados ou trair nossos compromissos sociais. Vamos provar que depois de fazermos políticas sociais que surpreenderam o mundo, é possível corrigir eventuais distorções e torná-las ainda melhores", ressaltou ela, que também defendeu ajustes nas contas públicas. Linha defendida por  Joaquim Levy, um economista de perfil conservador nomeado para ser o próximo ministro da Fazenda. "Mais do que ninguém, sei que o Brasil precisa voltar a crescer. Os primeiros passos dessa caminhada passam pelo ajuste nas contas publicas", afirmou. 
A presidente também atrelou o crescimento econômico do país à uma reforma tributária. "Pretendo encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei criando um mecanismo de transição entre as categorias do Simples e os demais regimes tributários. Vamos acabar com o abismo tributário que faz os pequenos negócios terem medo de crescer. Porque se o pequeno negócio não cresce, o país também não cresce."
A presidente, no entanto, não deu mais detalhes sobre as medidas que tomará a partir deste ano para sanear as contas públicas e conseguir uma poupança fiscal que melhore o ambiente para o crescimento econômico. Dilma, no entanto, já autorizou medidas que restringem o acesso a benefícios sociais como seguro-desemprego e pensão por morte, embora tenha prometido durante a campanha que não mexeria em direitos trabalhistas e previdenciários no país

Pronunciamento à nação

No parlatório do Palácio do Planalto, a presidente Dilma se dirigiu a população e resumiu o discurso feito aos parlamentares. Detacou os avanços sociais do país, pediu união e reforçou o compromisso em fazer a reforça política e em transformar o Brasil na "verdadeira pátria educadora." 

ASSISTA À ÍNTEGRA DO DISCURSO DA PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF

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